7.07.2009

a banhos






Tudo na vida são ciclos, a própria natureza também tem os seus. Ontem o M. também terminou um e em Setembro começa um novo, com novas responsabilidades. Confesso que tenho passado os últimos meses a questionar-me sobre a maturidade para tal.

Conversei com amigos-pais que em determinado momento também tiveram de optar se os seus filhos iriam com 5 quase 6 para a escola ou se esperariam mais um ano. Falei com educadores-amigos, com o pediatra, tudo indicava que mais um ano não faria mal, não houvesse um mas.
A verdade é que com 5 anos e meio o Manel aprendeu a lógica silábica. O pleno uso da mecânica do som e do seu conhecimento levou-o a começar a escrever sozinho (mesmo com erros), conceitos básicos de aritmética juntou-se a este querer saber mais.
Em Setembro o Manel começa um novo ciclo, comigo menos preparada do que ele.

Mas por agora é tempo de aproveitar os dias grandes, solares, as férias, a praia, os jantares que se estendem na noite e nada melhor que o texto de Maria Isabel César Anjo e as imagens admiráveis de Maria Keil, numa edição Sá da Costa Infantil de 1981.
O Verão é o tempo grande surge no paladar dos pêssegos e na beleza das zínias e das sécias.

Do livro sobre o Outono falarei mais tarde porque é dedicado aos meninos que vão pela primeira vez à escola.

Das três maçãs que mostrarei numa outra altura, apenas uma referência por achar lindíssimo o título da colecção editada pela Livros Horizonte, em 1988 – Histórias de Amor de Mais.

a banhos é uma imagem de filhos de amigos numa sardinhada no campo e que faz lembrar a ilustração acima, em que o texto diz "É o tempo/ dos meninos/ que não têm fato de banho/ andarem nus/ a brincar nos regatos"

7.01.2009

daqui e dali






Talvez dos livros mais bonitos e interessantes que vi ultimamente. Os de cima e os de baixo é um livro da autoria de Paloma Valdivia que nos surpreende por uma sensibilidade poética e estética acompanhada de uma originalidade singulares.

Quase como um espelho, onde a similaridade e a diferença são uma constante. O traço da chilena faz-me lembrar também o trabalho de Kveta Pacosvská, outra ilustradora que gosto muito.

Espanha ganha agora um novo livro desta autora, pelas mãos de um fantástico projecto editorial que se chama Faktoría K de Libros

Editado pela Kalandraka, Os de cima e os de baixo é dedicado também ao compositor Michael Nyman.

Um pouco do som deste livro aqui e uma homenagem a Pina Bausch através de um texto de Wim Wenders na sua despedida.

6.29.2009

‚µ‚á‚ê‚È•é‚炵‚



Fiona Hewitt é uma fantástica ilustradora, sendo que o seu trabalho não reflecte em nada as suas origens escocesas, muito pelo contrário, ele tem-se desenvolvido dentro de uma forte inspiração no design retro chinês.

A sua passagem por Hong Kong influenciou-a não só no uso da cor, como nos símbolos religiosos chineses e também pelos cartazes de propaganda comunista dos anos 40 e 50.

Existe um livro fabuloso editado pela Taschen, “Chinese propaganda posters”, que traz parte da colecção Michael Wolf de cartazes da propaganda chinesa durante o regime comunista, acompanhado ainda de três excelentes ensaios sobre o papel de Mao na cultura chinesa.
Um tema que me apetecia alargar, porque continua a ser um palco com dois teatros tão distintos.

De Quioto e pelas mãos de uma amiga uma colecção de papéis que usarei em breve. O saco veio da Cristina que tem sido uma presença constante mesmo à distância.

luas





Uma viagem sobre dois animais que rumam ao Norte, guiados por outros animais e pelas diferentes fases da lua. Uma viagem de descobertas, do mundo e até de si mesmos quando a lesma pede ao caracol que saia da sua casca.
O texto de Paula Carbonell é pontuado com provérbios e expressões idiomáticas que incentivam a tradição oral.
As ilustrações da argentina Cecilia Afonso Esteves conferem à narrativa uma simplicidade e uma cumplicidade entre a natureza muito própria desta ilustradora.

Desde 2005 que a OQO tem criado um catálogo digno de vários elogios, como a revista Babar nos mostra, no entanto o site ainda parece longe da marca da editora.

A leitura deste livro foi acompanhada de outras memórias, de certa forma também ligadas ao norte e a uma procura do outro ou de si próprio. Uma muito particular por ser um dos meus compositores de eleição. Philip Glass no álbum Einstein on the beach.

Para ouvir e quem se interessar pelo texto pode ler aqui

E ainda o poema Funeral Blues de W. H. Auden

6.26.2009

de pais a dobrar ou não



por ter sido uma filha tardia, pouca memória tenho dos meus avós. guardo histórias, fotografias e a possibilidade de ser uma espécie de fotocópia da minha avó paterna e a herança de um nome.
por ter sido uma filha tardia de quatro filhos, tenho na memória uma série de pais e uma espécie de sobrinhos-irmãos.

a imagem de cima é um detalhe da ilustração da Pais e Filhos do mês de Julho

6.24.2009

amigos





depois de algum tempo de ausência em que estivemos com o coração e a cabeça bem distantes, um livro, claro, que fala de amigos e que bom foi ter os amigos por perto, que fala de boas ideias, mas sobretudo termos ao nosso lado quem acredite nelas e depois porque é um dos meus ilustradores preferidos, - Miguel Tanco.

e uma série de livros novos que ambos andamos a descobrir

200 Amigos ou Mais Para 1 Vaca de Alessia Garili com ilustração de Miguel Tanco e editado pela Livros Horizonte




6.02.2009

a ler





Sinto que para tudo na vida precisamos de ter pessoas excepcionais por trás, que nos conquistem, que nos ensinem a olhar. A olhar mesmo.
Uma das coisa que agradeço é ter havido pessoas na minha vida que me ensinaram a ler. Estar rodeada de livros e tintas foi muito importante para a minha formação, mais do que formação artística, a minha formação enquanto indivíduo.

Já não me lembro de começar livros, mas sim de os acabar, pena que o tempo não dê para tudo. E é a propósito de tempo ou da falta dele que transcrevo esta metáfora que Pepetela faz no seu livro “O Planalto e a Estepe”, - editado pela D. Quixote -, “O tempo é um atleta batoteiro, toma drogas proibidas, corre mais que todos. E quanto o mais quisermos agarrar, porque resta pouco, mais ele corre. O tempo goza com a nossa estúpida vaidade…”

O novo livro da Bruaá “O ponto”, além do simples prazer da leitura, traz aquilo que falei no início, a necessidade de termos nem que seja de passagem pessoas extraordinárias nas nossas vidas.

A professora que consegue transpor a barreira do “Eu não sei desenhar”, imposto por aquela criança é a professora que todos queremos para os nossos filhos. E não se reporta só ao desenho, mas a tudo na vida.
Há pouco tempo e à conversa com Miguel Horta ele contava a história de um menino que só desenhava aviões e a professora queixava-se disso. O problema não estava na criança, mas na inabilidade de ela lhe mostrar que ele o podia fazer, mas de tantas maneiras diferentes, como a personagem de Peter Reynolds que reinventa um ponto vezes sem conta.

Por último um texto que vale a pena ler, assinado por Francisco Vale no blogue da Relógio d’Água, porque eu também não me identifico com livros que são a meu ver receitas ou fórmulas de escrita.

5.26.2009

de primavera






Há silêncios ensurdecedores, incómodos. Silêncios que nos fazem doer. No entanto há outros que nos afagam, que nos completam, que são, apesar de exteriores, extensões do nosso corpo.

“As estações” de Iela Mari é um bom exemplo de silêncios repletos de sons, de doçuras de vida, reeditado pela Kalandraka 30 anos depoisdo seu original,- 1979 - “The tree and the seasons”.
Uma narrativa exclusivamente gráfica em que é apresentado o ciclo da vida, a renovação da natureza, sendo esta feita através das quatro estações.
A editora Sá da Costa tem também uma edição do mesmo livro editado em 1982.

Iela Mari estudou desenho na Academia de Belas Artes de Brera, onde conhece Enzo Mari com quem acaba por se casar, dedicando-se a estudos sobre a percepção visual das crianças.
Resultado desses estudos temos o livro “O Balãozinho Vermelho” e “A Maçã e a Borboleta”, (via pó dos livros), ambos editados em 1969.

Por falar em Pó dos livros, uma história absolutamente deliciosa e ainda bem que ainda há pessoas assim :)

Este livro é também dedicado a um amigo que tem o projecto de durante um ano ir pintar um sobreiro



5.25.2009

rabmirac



A manhã estava pesada, o céu começava a transportar nuvens de água, era de todo um convite à casa. Saí. Saí provavelmente porque ir a Estremoz aos sábados de manhã faz-me bem.
Muitas são as vezes que não trago nada, mas gosto de lá ir, o que não fazia já por muito tempo. Gosto de ir. Sozinha. Do parar, do não-parar, do ver, de não ligar. Gosto de ir, não sei se sozinha, mas ao meu ritmo. Sem pressas, sem compromissos. De ir. de encontrar amigos, que também ao seu ritmo por lá andam.

Não fui contigo, mas gostei de ver a tua alegria quando me viste e que aos poucos partilhamos e construímos mais afinidades.

Oito das nove caixas de carimbos, são da fábrica de material didático – AGATHA-, no Porto. a outra caixa é de uma empresa francesa Fernand Nathan, matériel didactique, ref. v75

5.22.2009

dos que ficam sempre



a vida atropela-se, corre demais, depressa demais. fez ontem um ano em que te foste embora, e no entanto continuas tão presente. são pensamentos, são idas a lisboa, é uma parada que nunca mais foi jardim, são telefones que não se apagam, são dúvidas em que és o primeiro na lembrança.

fazes-me falta.

5.21.2009

MUDE




Finalmente instalada a Colecção de Francisco Capelo no MUDE (ou pelo menos parte dela), nas antigas instalações do Banco Nacional Ultramarino, da autoria de Cristino da Silva, o projecto dos expositores ficou a cargo dos arquitectos Ricardo Carvalho e Joana Vilhena.

"Apesar da "decadência" a que o espaço estava votado, "tirar partido das pré-existências" foi uma das maiores ambições, diz Bárbara Coutinho."

Numa espécie de Working in Process as imagens dizem tudo.



Um catálogo-revista que não fica aquém de outros produzidos com mais meios, muito pelo contrário o preço é um convite para não pôr a arte de lado.

Tejo Remy, (Holanda 1960) Armário, You can´t lay down your memory, 1991
Verner Panton, (Dinamarca 1926-1998), Móvel de Assento, Living Tower, 1968-69
Hubert de Givenchy (França, 1927), vestido de noite, Finais de 50

5.18.2009

Mario Benedetti



Tengo una soledad
tan concurrida
que puedo organizarla
como una procesión
por colores...
tamaños
y promesas
por época
por tacto
y por sabor.

Sin temblor de más
me abrazo a tus ausencias
que asisten y me asisten
con mi rostro de vos.

Estoy lleno de sombras
de noches y deseos
de risas y de alguna
maldición.

Mis huéspedes concurren
concurren como sueños
con sus rencores nuevos
su falta de candor
yo les pongo una escoba
tras la puerta
porque quiero estar solo
con mi rostro de vos.

Mais um grande escritor que nos deixa. A Cavalo de Ferro é a editora responsável pelos dois únicos livros traduzidos para português.

5.15.2009

de amores




Não gosto de pensar que existem amores impossíveis, prefiro acreditar que há histórias de amor que podem e devem ser vividas.

O livro “Um Segredo do bosque”, editado pela OQO, foi usado pela Mafalda e pela Helena durante um workshop que ambas realizaram na Gulbenkian. O ruído de fundo fez-me perder não a essência da história, mas algumas palavras sentidas e sobretudo as lindíssimas ilustrações de Elena Odriozola, de uma tranquilidade tão própria.

Javier Sobrino reinventa um bosque cheio de segredos, que só os ventos, as árvores, as brumas sabem esconder. Segredos bons, segredos de amor. E a verdade é que o esquilo da história tem um segredo desses. Invadido por sensações estranhas, resolve contar aos outros animais. Desvendado o seu segredo, até porque era difícil guardá-lo por mais tempo já que “até o vento contou ao mar”. A paixão do esquilo era diferente das outras. Um pica-pau. O que só prova que não há amores impossíveis.

E ainda destas questões do coração, “Gary”, um filme de animação que também mostra que o desejo pode tornar-se realidade. Pode ser visto aqui

e para que não seja só para gente pequena-pequena, -até porque quando falo deles, falo para gente pequena-grande, - um para gente grande-grande.
Tem sido o meu livro de cabeceira e quase no final aconselho vivamente. Editado pela Teorema, London fields de Martin Amis.

5.14.2009

de regresso



Depois de um último mês mais ou menos complicado, em que o meu trabalho tomou proporções inimagináveis, confesso até por mim, vejo-me agora um pouco mais tranquila. Um outro pé engessado trouxe-me algum cansaço físico e algumas lágrimas perdidas.


Agora e com a certeza de algumas missões cumpridas, entrego-me a novas, com uma certeza, que também por trás do meu trabalho está o imenso carinho de pessoas que me “acompanham” de longe e de perto. E faz-me feliz sentir que desse lado as pessoas se revêem nele.

5.09.2009

dias assim



em que as mães-mães também precisam de colo

5.08.2009

Poder ter uma estrela só nossa




Talvez não sejamos muito diferentes do rapazinho desta história e mesmo não o admitindo, quantas vezes olhámos para o céu e desabafamos com uma estrela, que achamos ser a nossa estrela.
A narrativa desenvolve-se na possibilidade deste rapazinho conseguir apanhar uma estrela só dele.
Num traço peculiar e um enredo muito próprio de Oliver Jeffers é no seu todo uma inspiração até para gente crescida. A possibilidade de cada um ter a sua própria estrela.

Ainda a propósito do mesmo autor a Orfeu juntamente com Diogo Martins da Companhia Evoé Teatro apresentam este fim-de-semana na feira do livro “O Incrível Rapaz que Comia Livros”




"How to Catch a Star", de Oliver Jeffers e editado pela Philomel Books do grupo Penguin

5.06.2009

no sorriso louco das mães




um abraço forte a todas as mães que andam por aí. mães-mães, mães-avós, mães-tias, mães-que o querem ser, porque um dia eu também o fui.

5.05.2009

sementes que ficam





Eu tal como mais uma ou duas gerações crescemos na companhia de Vasco Granja. A verdade é que ele não só encantou crianças, mas ensinou muito. Muito do que se fazia por esse mundo fora. O homem que mostrou a pluralidade da arte de animação. Que passou pelo Canadá com obras de Norman McLaren até à Checoslováquia. Do leste veio o ursinho Mis Uszatek , “O lápis mágico” da Polónia, o “professor Baltazar” da Jugoslávia - e tanto que eu cantei este genérico -, da Inglaterra “o país dos rodinhas” e “o carrocel mágico”. Uma vida cheia como testemunha esta entrevista.

Senti que falar também de “lost and found” fazia todo o sentido. O filme e dois livros de Oliver Jeffers (versão original) chegaram-nos ontem, e escusado será dizer que nos acompanharam pela tarde, pela noite e por uma ida, hoje, para a escola.

Já tinha falado aqui sobre ele, mas ao vê-lo e não sei se por sofrer de um coração deslocado, muitas vezes demasiado perto da boca ou dos olhos, fiquei rendida ao trabalho magnífico de toda a equipa envolvida nesta adaptação.
Uma história cheia de sentimento, de valores e que nos faz pensar .

Com a narração de Jim Broadbent, um dos mais versáteis actores ingleses e com a fantástica música de Max Richter

Do primeiro com certeza são sementes que ficam

5.03.2009

do cordão que te agarra a mim



há cinco anos atrás eu fazia anos, soube que estava grávida e era dia da mãe. não podia ser melhor. estava cheia de tudo. transbordava de mim mesma. como num conto de fadas, a música do baile ecoava dentro de mim.


é difícil expressar esta vivência a dois, porque é feita de tudo. de alegrias, de tristezas, de amor, de sorrisos, de choros, de ângustias, de orgulhos, de construção, de mimo, de desânimos, de repreensões, de brincadeiras. de um aprender diário. de um aprender que é preciso soltar-te deste cordão que te agarra a mim, mas que te prende sobretudo à vida.


obrigada Manel

4.29.2009

delas




(...) Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho


Drummond de Andrade, in Para Sempre

4.24.2009



porque vivi sempre com o sabor da liberdade


e amanhã vamos rever amigos

dia internacional do livro (ontem)



Depois de ter lido ontem alguns posts sobre o dia internacional do livro apetece-me apenas acrescentar duas coisas, que a partir de ontem Beirute é a nova capital mundial do livro e que o dia internacional do livro infantil também já comemorado conta com uma nova imagem para 2010, pelas mãos Eliacer Cansino e Noemí Villamuza que ganharam o concurso da OEPLI para o cartaz comemorativo

e a feira do livro de Lisboa que promete ser diferente, conta ainda com o site de 2008, via APEl

4.22.2009

«no mais fundo de ti»


...que há leitos onde o frio não se demora.
in "poema à mãe", Eugénio de Andrade

as vezes que fui à "Ler Devagar" ainda no Bairro Alto foi acompanhada do Torcato, acabava-se sentado numa mesa com um cutty sark a acompanhar a conversa e o(s) livro(s) comprado(s).
mais tarde na Fábrica do Braço de Prata (infelizmente já há muito tempo sem site) e agora no antigo espaço da gráfica Mirandela.
promete...
a inauguração é amanhã e durante quatro dias. programa aqui

tricotar


a juntar a muitas coisas que gostava de saber fazer junta-se a de tricotar.
um blog que vale a pena espreitar pela magnifica coleccção

4.21.2009

dias longos



o sol voltou e com ele uma nova força anímica. as novas ilustrações ganham forma e o tempo vai-se perdendo