5.20.2013

muito do que ando a fazer

pins













há muito que me apetecia fazer pins, e houve quem me mimasse no meu aniversário.
vão surgindo aos poucos alguns pins com ilustrações minhas. assim como para fugir ao cansaço.
os pins têm 59mm e há mais disponíveis aqui.
mais informações através do mail rreimao@gmail.com

sem tempo para ter tempo

video
custa-me ter este espaço e não ter tempo para aqui passar, mostrar o meu trabalho, mas acima de tudo o que de bom se faz por este mundo.
presa na falta de tempo aproveito o resto para descansar.
entre viagens de atelier para atelier surgiu esta pequena animação. uma forma de ocupar 400km que faço pelo menos duas vezes por semana

3.09.2013

Anna Solanas e Marc Riba


Animação é a senha, e Monstra a contra-senha. Com o Festival a decorrer e sem tempo para assistir reservo para as férias o que ainda se pode ver.
Como parte integrante deste ano, estão patentes duas exposições no Museu da Marioneta. Uma do estúdio I+G de Barcelona (país convidado) com personagens e cenários de 6 filmes de uma das duplas mais promissoras, Anna Solanas e Marc Riba.
A outra exposição é de Fernando Cortizo, com os cenários do filme "O Apóstolo".
A par das exposições estão agendados uma série de ateliers a não perder.

O Museu da Marioneta disponibiliza ainda uma aplicação que pode ser descarregada na App Store. Confesso que esperava mais...

3.08.2013

Já há Monstra por aí



1-KALi, the little Vampire -Trailer from Regina Pessoa on Vimeo.


"Tailor's kiss" é um dos primeiros filmes de Joana Bartolomeu, uma das nomeadas para o Prémio Vasco Granja, mas é com o filme "M" que irá a concurso. "M" é uma gota de água que desperta pela primeira vez e se vê sem ninguém numa superfície branca e ofuscante. Uma viagem alegórica onde uma gota de água sofre questões existenciais. 

Outro nome é o de Regina Pessoa. Não consigo deixar de mostrar a minha preferência pelo trabalho desta autora. Gosto do traço. Gosto da abordagem ao universo infantil, aos medos onde as personagens dividem-se entre a escuridão e a luz. Gosto da música. Young Gods, porque me lembra outros tempos. O segundo filme desta triologia é o tão conhecido "Histórica Trágica com Final Feliz

Por último "Do Céu e da Terra" de Isabel Aboim Inglez com argumento do escritor Possidónio Cachapa. Para ver tudo  no dia 16 às 22H00 no Cinema City Alvalade no âmbito do programa da Monstra.

2.25.2013

sneak peek


























há um ano ofereceram-me este livro vindo directamente da ARCO, é 100% ecológico, o papel é feito a partir de pedras e é resistente à água.

o ricardo rodrigues convidou-me para participar no "coelho da alice" e sei que da minha parte pode meter água :)

fica só uma espreitadela

an ordinary monday



a minha vida está mais ou menos contada ao minuto e como sou dada a algum esquecimento vejo-me obrigada a escrever tudo numa agenda que já ganhou uma espécie de apêndice porque não cabe tudo na primeira.

convém referir que eu não compro as minhas agendas porque são, já há muitos anos, uma prenda de uma amiga a que se reserva o direito de a escolher. claro que este ano houve protestos. já houve boas gargalhadas. maldita crise.

voltando aos meus afazeres, e neste caso os de segunda feira que são escrever a página infantil do DA, e acreditem ou não, dá imenso trabalho até ao bolso. há muita pesquisa para dar a conhecer o que de diferente se faz por este e pelo mundo fora. os livros que escolho compro-os, não são as editoras que me oferecem. não faço fretes.

numa segunda feira que se queria mais ou menos normal encontrei esta edição limitada da editora espanhola Milimbo, e apesar de não estar à venda em Portugal existem ainda dois exemplares na loja online. é uma edição especial do livro Hansel e Gretel que conta também com uma série de objectos criados pela ilustradora Blanca Helga. vale a pena sonhar um bocado

2.24.2013

achimpa e o novo acordo


Achimpa, de Catarina Sobral, editado pela Orfeu negro, conta-nos a história de um investigador que um dia descobriu num velho dicionário a palavra achimpa, claro. Claro, é que as pessoas também não sabiam onde aplicar a nova, velha palavra. Não sabiam o seu significado nem a que classe de palavras pertencia.
Achimpadamente ao longo do livro vemos de um modo achimposo como cada um a aplica. Um livro divertido para leitores achimpíssimos e que nos leva a reflectir na trapalhada que tem sido o novo acordo ortográfico e em todas as "manifestações" à volta do mesmo.
Quem sabe se achimpa não poderá entrar num novo acordo ortográfico num apelo à língua viva.
Da minha parte posso dizer que a minha wishlist diminui um livro... o que em boa verdade não significa nada.

Por outro lado o M. envolveu-se num alto próprio de epopeia, pois decidiu reler todos os livros e catalogá-los, o que deita por terra a minha catalogação. Deste feito contam-se já 127 livros

há dias cinzentos

há dias em que a vida nos faz parar, nem que seja para pensar. corro. corro demasiado. há semanas que faço 1200 km para voltar a casa, para  estar com a pessoa que mais amo. em boa verdade só estou fisicamente porque o cansaço toma-me o espírito, estou preocupada com o dia seguinte, estou preocupada até com o cansaço que o corpo teima em mostrar. a tua voz ecoa dentro de mim confundindo-se com as vozes de tantos outros meninos que estive ao longo do dia. Não quero isto assim. e sem querer volto à vontade de me ir embora. de não ter de fazer 400 km para te ver.

falta-me tempo. até tempo para vir ao blog e escrever em tom de desabafo. escrevi tantas vezes sobre estes livros, mas sempre na perspectiva do olhar de Maria Keil. Maria Isabel César Anjo morreu. Uma linguagem simples, poética, doce, mostrou  que "O inverno é o tempo já velho". assim foi despediu-se de nós a escritora que foi pioneira em aliar a escrita à ilustração, dando a esta a verdadeira importância e não só meramente decorativa.
A Hipopómatos lembrou-me mais uma vez os "nossos livros"


2.05.2013

11, 11, 11, 11













Fui nomeada pela Cristina, do Divine Shape para um "Liebster award", que serve para divulgar blogs menos conhecidos ou pelo menos com um número inferior a 200 seguidores.
Espero que aqueles que foram nomeados por mim não se aborreçam muito em responder. sim, dá trabalho, principalmente escolher 11 bloggers.

aqui vão as regras: listar onze factos sobre nós próprios; responder a onze perguntas que nos atribuíram; nomear onze bloggers com 200 ou menos seguidores, colocar o link do blog delas neste post e avisá-las sobre o prémio; fazer onze novas perguntas às bloggers que nomeámos para o prémio


11 factos sobre mim

1. É um contrassenso, mas não sei trabalhar sem ser em cima do deadline. Dou por mim a praguejar com a falta de tempo, mas adoro ouvir que era para ontem.
2. De manhã e antes de beber café peço que não falem comigo. Mudou um bocado desde que o M. nasceu.
3. Saber que depois de ter sido mãe, passei a ter uma extensão de mim.
4. Vou sempre ao cabeleireiro lavar a cabeça. Não demoro mais de 20minutos, é lavar e esticar.
5. Desejo voltar a casa, ao sítio onde sou feliz.
6. Detesto invejas e coscuvilhice.
7.Prefiro trabalhar com homens. São mais pragmáticos.
8. Já não saberia ter um patrão e um horário.
9. Gosto de quem me faz rir. Preciso de rir.
10. Adoro margaritas, sushi e pimentos padrón.
11. Há dias em que não me recomendo.

As 11 perguntas que me fizeram

1.Estás farta de...?
Viver aqui…

2. O que gostavas mesmo de fazer na vida era?
Desde pequena que não me lembro de ter tido vontade de ser qualquer coisa que não o que sou e faço hoje. O desenho esteve sempre presente em mim. Já mudei muito. Cresci. Cresço todos os dias. Por vezes sinto uma espécie de “Eduardo Mãos de Tesoura”.

3. O que te apetece dizer ao mundo e nunca tiveste coragem para o fazer?
Mais do que ao mundo a algumas pessoas… mas continuo a não o poder fazer.

4. Para que servem os blogues? O teu e os outros?
Quando criei o primeiro blog foi essencialmente para mostrar o trabalho que fazia, mas depressa diluiu-se em algo mais pessoal. Assumi o meu nome, Reimão, e tem servido em primeiro lugar para mim. Muitas vezes são desabafos, partilhas. de alegrias e ângustias. Todavia e em muitos casos procura ter um lado de descoberta, de objetos perdidos, de histórias mais ou menos peculiares. Apesar de haver alturas em que tenho uma atitude um bocado displicente, mas mais por falta de tempo do que por falta de vontade. Dos outros blogs espero um pouco do mesmo, talvez um reflexo de quem os escreve.

5. Se te saísse o euromilhões, o que farias?
É impossível sair-me o euromilhões… Não jogo nem nunca joguei. Sinto que estou a deitar dinheiro à rua.

6. O que gostavas de mudar no mundo, se tivesses poder para isso?
Um Mundo Novo e um Homem Novo seria o começo.

7. Tens medo de envelhecer, ou a idade é um posto?
Não tenho medo de envelhecer, mas tenho medo da morte e da doença. Não convivo bem com a dor nem com a perda.

8. Um sonho?
Voltar para casa.

9. Marca/designer
Serei sempre uma apaixonada pela Bauhaus e Gropius, talvez porque ainda não consegui interiorizar o “less is more”. Perco-me no pormenor

10. Tens algum vício?
Os livros são talvez o maior vício. Adoro ler, mas também não consigo por de parte o livro enquanto objecto de design. Acho que nunca me renderei aos e-books. Gosto de cheirar os livros, de os sentir. Os livros podem ser a minha ruína

11. Música preferida?
The booklovers, Divine Comedy

11 bloggers
HelenaZália

As minhas 11 perguntas:
1. Se te pedissem para inventares um personagem como seria
2. Um sonho que gostasses de ver realizado a curto prazo, já que sonhos todos temos…
3. Qual é o primeiro nome que te vem à cabeça
4. Com a velha máxima “se soubesse o que sei hoje”, o que mudarias
5. Que livro oferecerias a um(a) amigo(a)
6. Um vício
7. Se pudesses escolher a vista da tua janela qual era
8. Melhor falador(a) ou melhor ouvinte
9. Uma música que ouças quando estás mais nostálgico(a)
10.  Um desabafo
11.  Qual é a melhor lembrança que tens da tua infância 

1.15.2013

YARA | IARA





YARA | IARA é o mais recente livro da fabulosa ilustradora Margarida Botelho. Margarida é bem verdade mais do que uma ilustradora, é essencialmente uma autora de alma que alia as histórias das suas vivências a um modo de ilustrar muito particular a que nos habituou e encantou.
Quem já a ouviu contar as suas viagens fica preso nelas e no brilho dos seus olhos. Quando começa a falar, as mãos dançam e puxam para estas viagens mesmo aqueles que não se arriscam a pôr os pés fora de casa. Os livros traduzem-se na história documental de duas culturas, como já tínhamos visto acontecer com EVA(S).
 YARA | IARA é o segundo livro da coleção Poka Pokani e faz parte de um projeto artístico de intervenção comunitária que se baseia no registo documental de histórias registadas na primeira pessoa, neste caso de uma menina kayapó que vive na bacia do rio Xingu na Amazónia e outra menina que vive na Europa. Ambas iniciam a sua viagem em lados opostos do livro, mas no fim sentimos que há tantos pontos em comum e que convergem no centro do livro.
Ficamos mais ricos com as histórias e com as palavras que as povoam, como tucanaré (peixe), tracajá (tartaruga), copaíba (árvore) entre tantas outras.
Ficamos à espera com muita espectativa da próxima história que desenvolve em Sadhana, na Índia e de que já tivemos oportunidade de a ouvir falar.

a última foto é da Margarida na aldeia Kararaô no Xingu, com os indios Kayapô, onde teve a possibilidade de pintar com jenipapo (genipapo - os índios usam o suco do fruto para pintar o corpo) e urucum

tudo isto fez-me lembrar esta música

1.14.2013

tea

A menos de um mês do fim da exibição "Um Chá para Alice" a exposição reúne um conjunto de ilustrações contemporâneas deste conto tão intemporal de Lewis Caroll. As minhas preferências vão para os trabalhos do eslovaco Dusan Kallay, Chiara Carrer (itália), e de quem eu quero tanto o livro "O comboio", editado pela OQO, Violeta Lópiz (espanha), Joanna Concejo (Polónia), Anne Herbauts (Bélgica) entre outros, nomeadamente da portuguesa Teresa Lima.

o primeiro filme sobre o tema realizado em 1903 realizado por Percy Stow (1876-1919) e Cecil Hepworth (1873-1953) via cria cria

de mim, dois livros na calha, o reinicio dos ateliers nas escolas públicas de Lisboa, "Um coelho para Alice" e  "What´s in your closet" 

1.10.2013

voar




"Um dia, as aves pousaram o seu olhar para lá dos ramos e das folhas, e imaginaram uma vida diferente.
Começou assim uma nova era.
Explicaram às suas crias o como e o porquê de tudo o que as rodeava..."

É assim o início de "Aves", o livro vencedor do V Prémio Internacional de Compostela para Álbuns Ilustrados e editado pela Kalandraka, é sem dúvida uma lição de vida.
A contínua procura pelo desenvolvimento capacidade inerente ao seres humanos, personificados aqui pelas aves, mas que muitas vezes se desvia dos princípios fundamentais gerando conflitos, tem sido lido e relido, pensado e falado a dois.
Um livro de dois jovens artistas mexicanos David Àlvarez Hernández e María Julia Díaz Garrido que traduzem um virtuosismo técnico a par de uma linguagem poética.

Enquanto esperamos pela Primavera.

1.09.2013

sempre a aprender

a menos de 10 dias do fim das férias do M. e já tenho saudades daqueles dias. não escondo que viver no interior revelou-se muito complicado, não só por questões profissionais que me levam a sair, como a oferta cultural ser curta. muito curta.
Nestes anos tenho procurado mostrar ao Manel o que de diferente e inovador se faz em várias áreas e surpreendentemente na última ida à Gulbenkian para ver "Um chá para Alice" fui puxada para ver "As idades do mar".
Percebi que lhe tenho "escondido" os clássicos, mas que pela minha formação achei que haveria tempo. Esse tempo chegou com o interesse dele e agora com a vontade de lhe mostrar muito mais.
A exposição é uma abordagem de uma leitura poética sobre o mar, onde estão patentes cerca de cem obras compreendidas entre os séculos XVI e XX. Dividida em seis perspetivas que visam a compreensão desta força da natureza que tanto atrai como atormenta. Um apelo à grandeza, à imensidão, mas também à impotência do homem face ao mar. De William Turner, Constable, Courbet, Manet, Monet, Signac, Sorolla, Klee a pintores portugueses como Amadeo de Souza-Cardoso ou Vieira da Silva, entre muitos outros.

Surpreendente foi também o gosto que demonstrou pela série que estreou esta semana na RTP2, "Românticos desesperados", realizada pela BBC e que conta a história da Irmandade Pré-Rafaelita. Um grupo de artistas que durante a Revolução industrial surge contra a arte académica inglesa que seguia os moldes clássicos do Renascimento e que pretende devolver à arte a pureza do gótico e do estilo medieval. Constituído por Dante Gabriel Rossetti, William Holman Hunt e John Everett Millais, que embora unidos pelo mesmo objectivo não revelam coesos na sua produção.
Aguardamos ansiosamente o próximo episódio

12.10.2012

onde o nosso coração está


quando nos mudámos para o Alentejo trazíamos na mala o romantismo de viver no campo. tudo era novo e invariavelmente apetecível por tudo o que de diferente despertava em nós. em todos os sentidos.
conheci o senhor M. porque precisei de umas prateleiras para um nicho que, por altura das obras, decidimos não destruir, como quase tudo.
não o conhecíamos. culpa nossa, porque não era um simples carpinteiro. Com a mestria de quem trata o material por tu, dava vida a peças que o destino já há muito tinha posto no lixo.
aceitou o trabalho, apenas e porque simpatizou connosco. ao fim de quase 12 anos lá estão elas sem um empeno, milimetricamente desenhadas para um espaço que de milimétrico apenas tem os poros.
com um humor peculiar, só se dava a quem queria. sabia o que fazia e fazia-o muito bem. não havia bicho que ali permanecesse por muito tempo. amigos que trazíamos de Lisboa frequentaram a casa deles, como amigos deles se se tratassem.
um dia o caruncho chegou-lhe a casa. sentiu-se mal. não era nada, mas era tudo. o corpo perdeu-se no cansaço. perdemo-lo porque ele o decidiu.
hoje ao levar o M. à escola cruzei-me com a mulher. mantemos alguns almoços. menos dos que gostaria.
naquela altura pensei que não iria aguentar. enganei-me. olho-a e penso que é preciso força para continuar e para mudar.
ao longe os sinos dobram e uma dada angustia apodera-se dos pensamentos. inquieta-me esta proximidade que ao mesmo tempo é tão distante.
há sítios que nos marcam de uma forma indelével, mas a nossa casa é, onde o nosso coração está.

12.06.2012

desembaraçar a mão


Em Março deste ano tivemos a possibilidade de passar 3 semanas entre Santos e São Paulo. confesso que ao aproximar-se o dia da viagem sentia-me inquieta. sou eu. não sei ser de outra maneira. sofro com a mudança. voltei a gostar e uma vez por outra com uma dada saudade. da gente. do clima.
naquele dia estivemos juntos de Niemeyer e somos esmagados. o nosso olhar é muito. tanto que a máquina não consegue apanhar. o nosso olho é vivo, como será sempre vivo quem o fez.
quem dizia que era preciso desembaraçar a mão, perdeu aos 104 anos, quando a vida decidiu desembaraçar-se dele

11.25.2012



ilustrações em acrílico sobre papel de aguarela com cerca de 16X22 a preços simpáticos 

11.20.2012

trabalhar

para um tempo novo que aí vem. mais informações através do mail rreimao@gmail.com

11.12.2012

o que chega a casa


chegou hoje a casa uma edição lindíssima e muito cuidada do 5º Encontro Nacional em São João da Madeira. Quanto ao catálogo, e pela minha parte falo, muito bem impresso. Uma vez mais a Junta de São João da Madeira está de parabéns.

11.07.2012

Keep it simple


Quando vi pela primeira vez o jogo Story Cubes percebi que tinha de ir para a minha infindável wishlist, que tem o defeito de não diminuir, mas sim de aumentar, mesmo com bastantes critérios na escolha. Nove dados rolam sobre a mesa e a brincadeira começa. O princípio pode ser o “era uma vez”, mas aos poucos ganha-se a confiança das e nas palavras. Fazem-se trocadilhos, rejeita-se o que temos por verdade, num jogo que se Quer assim, sem chavões, sem certezas. Capaz de combinar milhares de saberes. Conta-me outra vez essa história. Não posso. É única. A tua imaginação sobrepõe-se às imagens. E há quem goste de te ouvir contar.

comprado aqui

é assim




Há dias falava com um amigo sobre esta estranha relação que se pode ter com os livros. Os livros são o amor de uma vida que não queremos perder. São a paixão arrebatadora que nos esmaga, que nos leva a noites perdidas. Mas são também desamores, desilusões que nos impelem ao virar de página e a partir para uma nova história.
Dei por mim com um sentimento contrário ao que era de esperar. Apaixonei-me pelo último livro de Paulo Lins, “Desde que o samba é samba”. Pela própria narrativa passada no final dos anos 20 e início dos anos 30 de 1900, onde o cruzamento de culturas, a prostituição que chegava da europa, a vadiagem, os proxenetas, a música nos bares em modo quase clandestino, e este modo carnal com que Lins escreve, cresce e transforma-se em arte. Prende-nos em cada palavra. Ao contrário do que diria O’Neill não se estranha, mas entranha-se. De tal modo que dou por mim a não querer acabá-lo, com o mesmo receio de perder um grande amor. Do medo da escrita de uma próxima leitura. Neste momento é tudo muito visceral e quero que permaneça assim. Por mais um pouco.
Ainda da minha estranha relação com as letras uma mania que me persegue há muitos anos. Detesto o acumular de jornais e revistas. Rasgo aquilo que me interessa para saborear mais tarde. O problema é que se acumulam demais

11.02.2012

livros, cheiros, sabores e algumas faltas



para quem gosta de livros e não falo só no livro enquanto objecto de leitura, mas no livro na sua forma, no seu grafismo, no seu cheiro, perceberá aquilo de que vou falar. ontem ofereci ao Manuel o livro com a história do filme do Tim Burton, Frankenweenie e a primeira reacção foi cheirá-lo. é quase indescritível, mas engoliu-o pelo nariz, senti-lhe o inalar a percorrer-lhe o corpo num arrepio que terminou com uma expressão de prazer, que até a mim me arrepiou, lembrando-o do cheiro do livro da "Invenção de Hugo".
gosta-se, e quando se gosta as palavras esgotam-se, a não ser aos escritores maiores.
ainda a propósito do filme do Tim Burton aventurei-me num bolo que o M. levou para casa de uns amigos.
gosta-se, e quando se gosta o sorriso na cara deles supera o cansaço.
agora falta o filme e para isso tenho de ir a Lisboa.
ainda de livros. gosto do aproveitamento que a Bulhosa faz das provas de máquina transformando-as em papel de embrulho. uma história que guarda outra história

tutorial do "sparky"
As palavras que surgem a azul são informações adicionais com links específicos

10.31.2012

tradição




Ao meu amigo João,

O melhor será começar pela palavra tradição, símbolo de memória, uso ou hábito. A tradição é a via pela qual os factos ou dogmas são transmitidos de geração em geração sem mais prova autêntica da sua veracidade que essa transmissão.
É verdade que as tradições traduzem a identidade de um povo e, se no dia 1 de Novembro de 1755, com o terramoto houve a necessidade de se pedir ajuda, sim, porque o “Pão por Deus”, não era mais que uma esmola para amenizar a perda de quem ficou sem nada.
Essa tradição manteve-se por Lisboa e arredores, primeiro recordando as vítimas desse dia, depois porque era tradição e já não se questionava a sua razão. Podemos perguntar que sentido fazia ser adoptada pelo resto do país? Por tradição?
Mais, eram as crianças a quem lhes era delegada a tarefa de pedir, e se recuarmos àquele dia, podemos imaginar que os adultos estariam mais ocupados em cuidar dos mortos, por isso o dia 1 de Novembro ser o Dia dos Finados, como arranjar lugar para dormir. Também era mais fácil sentir compaixão por aqueles meninos que acabavam por receber aquilo que havia, castanhas, maçãs, romãs. O que a terra dá por essas alturas.
Com o passar do tempo o “Pão por Deus” sofreu algumas alterações e os meninos passaram a receber doces e algum dinheiro.
Mas o que dizer do Halloween, que nos bateu à porta, sem qualquer tradição e numa onda consumista.
A palavra Halloween deriva da expressão “All hallow’s eve”, que significa a “véspera de todos os santos”. Abreviando “à má fila” a explicação que se impunha, mas que num próximo post irei fazer, as crianças batem às portas com a frase na boca “doçura ou travessura”. Cabe a quem dá escolher.


Mas na tradição portuguesa, com o seu propósito original desvirtuado, as crianças também pedem doçuras, mas com versos na boca,

"Bolinhos e bolinhos 
Para mim e para vós 
Para dar aos finados 
Qu'estão mortos, enterrados" 

"Pão, pão por deus à mangarola, 

encham-me o saco, 
e vou-me embora.” 

Cabe novamente a quem dá escolher.
“Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote” 


Mais uma vez a travessura, mas que vinha em forma de verso, 

“O gorgulho gorgulhote, 
lhe dê no pote 
e lhe não deixe, 
farelo nem farelote.”


“Esta casa cheira a alho 
Aqui mora um espantalho 
Esta casa cheira a unto 
Aqui mora algum defunto.” 

Pensando melhor e nos dias que correm cada vez faz mais sentido pedir o “Pão por Deus”, de qualquer forma, obrigada João por ires buscar as crianças.

10.28.2012

ainda de ursos

A primeira foto é da artista que tem o blog désaccord, onde nos perdemos nas peças e nas fotografias.

As outras fotos fazem parte de um livro de crochet de 1973 e de facto este look retro é absolutamente fantástico
 retro. as formas e as c pelas formas e cores
via artsyants

10.27.2012

\-/

ontem foi dia de yoga, o que em boa verdade é o dia em que aprendemos um pouco mais de nós. é incrível o estado de espírito com que entramos e mais tarde saímos. somos poucos e para quem ache que o yoga é apenas meditação, engana-se. trabalha-se o corpo. nem sempre é fácil. caminhamos devagar e sabem bem as vitórias.
todas as coisas têm o seu momento alto, aquilo que nos toca mais, retemos. o que gostamos mais, guardamos. ontem e já na fase de relaxamento em que o corpo arrefece, a Rita tapou-nos, enrolou-me os pés e percorreu-me uma sensação de protecção que há muito tinha esquecido.
quando era pequena não me lembro de ver a minha mãe doente. ela estava lá, presente, para as nossas doenças, para as nossas queixas, sorrisos, brincadeiras. estava.
a partir do momento em que fui mãe percebi que o nosso tempo e as nossas doenças diluem-se na vida deles. foi bom sentir-me aconchegada.

a fotografia pertence à artista que tem o blog Miga de Pan, que tem um trabalho fantástico.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...